terça-feira, 24 de agosto de 2010

Oh, yeah, I fell a rat upon a wheel.

Darling,

Bom, te escrevo mais uma vez, como todas as noites tento. Dessa vez farei de uma vez só, de forma mais exata, definitiva, sem modos de aceitar uma possível continuação ou uma explanação tua. Esse será um ponto final para nós, um desabafo. Não um ponto final para mim, você sabe muito bem, até mais que eu, que não sou boa para finais. Sou boa para reticências e interrogações, apenas.
Bem, antes eu estava desesperadamente me sentindo o tal rato que gira sem parar na rodinha de sua gaiola; poderia dizer agora que você simplesmente nunca esteve aqui, sem mencionar sua mania de dominar o jogo? Você me deixou de lado mais uma vez. Não vou me deixar abater em vão por quem não me enxerga, mesmo quando estou ao seu lado, e você sabe da metáfora que uso.
Acho que sabes bem que as únicas coisas que ouço ultimamente são os passos da solidão, tentando entrar pela porta, pela janela, por todos os cantos. Mas NÃO, em alto e bom som, eu não deixarei ela entrar. Nem ela, nem mais nada que você deseje.
Também queria que soubesse, Senhor Neutralidade, que por vezes decidir tudo e falar duma vez é a melhor coisa a fazer. Falsas esperanças destroem mais que um simples não, enfim.
Acho que você sabe muito bem dos meus defeitos. Do meu ciúme, da minha paixão, da minha necessidade contínua por atenção, da minha necessidade de provas. Mas não, mesmo sabendo, o que te torna ainda mais cruel, você derrubou meu amor como um brinco que cai embaixo dum armário e fica esquecido. Como uma rosa deixada entre um livro para apenas marcar uma página, ficar lá secando, de enfeite. Eu não quero ser uma página para ser lembrada, querido. Eu quero ser uma página vivida, uma história inteira.

Atenciosamente,
Leila.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Carnival.

Ao som de Carnival (acoustic) - The Cardigans.

As únicas coisas a brilharem naquela noite eram as luzes da roda gigante e as fachadas de neon das lojas de souvenires. Caros, por sinal. Aquele povo só guardaria aquele momento mágico na lembrança; aquela tela enorme de cinema-mudo, aquele parque de diversões ambulante, com rodas enormes que giram e aqueles cavalinhos que sobem e descem do carrossel.
As únicas coisas a brilharem naquela noite eram... até ela chegar. E fazê-lo gastar inocente em uma pipoca doce e dançar com ela ao som da música do carrossel, no chão de terra batido, levando aos suspiros todas as outras moças de saia rodada da vila - por um rapaz franzino, um mero Zé, mas um Zé apaixonado.

_ También ha brillo en tus ojos.
_ Sabes que estoy colgando en tus manos, asique no me dejes caer.