quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

De dezembro a janeiro.

E essa calmaria de todos os dias - de trinta e nove dias, desde então - confronta-se com a minha confusão inerente e já minha, muito minha. Posso dizer até que me acostumei com ela, mas nunca, nunca, que me orgulho dela e muito menos de que ela está certa.
Com o tempo a gente aprende a lidar com situações das quais não se tem domínio, mas que se tornam aceitáveis.

- Eu não gosto de confusão. -

Mas quase todo o tempo o coração bate forte e quente, a cada vez que se lembra, ou que não esquece. A cada cheiro de shampoo no travesseiro, a cada vez que vemos um filme, que eu rio de você, que você diz gostar do livro que te dei. A cada vez que eu deixo a confusão que me entristece passar. A cada vez que o tempo parece passar tão devagar, mas voa rápido lá fora e eu morro de frio enquanto você está de camiseta.
E os dedos se entrelaçam, os braços se confundem num abraço e meus cabelos compridos sempre atrapalham. 

 - Veja bem, eu não sei sobre tudo o que gosto, mas eu gosto de você. -
(Pouquinho, bem pouquinho, um tantinho assim.)

É um ensaio sobre a paciência escrito em trinta dias, oficialmente. Sobre a paciência da espera, da confusão, da falta de tempo e das impossibilidades. Sobre a paciência da sua teimosia e da minha convicção, da sua razão quente e do meu frio, da sua fala e da minha quietude.

Não, não incendeia, não implora e nem grita. Só é calmo. É leve, flutua, e eu posso respirar.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Bem-me-leve.

- Nunca diga não pra mim,
eu não vou saber trabalhar, conversar, descansar sem o teu sim -

O meu lorde inglês anda na chuva e ignora qualquer pedido sobre as demonstrações públicas de afeto. É daqueles que pensam demais, que correm atrás, que guardam o beijo na concha das mãos, que abusam dos efeitos sonoros enquanto sussurra absurdos no ouvido do meu coração. 
O meu lorde inglês poderia trazer mil rosas, mas prefere a flor do campo roubada do jardim do vizinho; poderia buscar o mais caro, mas prefere o cachorro quente da banquinha e o chocolate meio amargo comprado na padaria.
O meu lorde inglês tem olhos que sorriem, olhos de estrela, pequeninos assim de um jeito candidamente declarativo, como um prelúdio, uma capa de romance clichê e doce que convida para deslizar os dedos pelas páginas, devagar, sem ignorar sequer a dedicatória.

- Se eu corro, eu corro demais só pra te ver, meu bem
É que eu quero um socorro. -