quinta-feira, 20 de setembro de 2012

It's all around you.

Manso, como faz jus. Aquece, acalenta, enche de sons o silêncio do deserto.
Estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar.

Apenas venha e me dê um abraço quente.
Venha de surpresa, não importa, eu saio da concha e garanto um lugar aconchegante para você me cuidar.
Me sorria, me respire, me beije e me pulse.
Me ganhe. E não me deixe.

Me arranhe com toda essa grandeza que existe dentro de você.

Porque se o amor não pode me salvar, mas você pode, não há nada a dizer.
Apenas venha. E fique.

Seja a minha incógnita. Me agite e me aquiete. Eu posso afirmar com toda a certeza que, para quem já decifrou todas as minhas entranhas, não será difícil me manter.

Apenas venha, e nós desvaneceremos juntos.



You'll be given love. You'll be taken care of. You'll be given love, you have to trust it.
Maybe not from the sources you have poured yours.
Maybe not from the directions you are staring at.
Twist your head around. It's all around you. All is full of love.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Morno.

Refleti sobre o morno. O morno é aconchegante. O morno não dói. Quando é inverno, você liga a torneira no morno e pode sentir, então, suas mãos vivas, e é bom. E por que ninguém quer vivê-lo? Eu vivo intensamente, não quero cair na rotina. Carpe diem, aos arcádicos. Pois viver bucolicamente é algo assim tão intenso?
O morno não é medíocre; ele é seguro. Viver assim é, portanto, não se ferir nem congelar. Ele admite mudanças, não é estático; admite grandes devaneios, porém, de quem julga ser fervente - e de quem é frio e não sabe. Digo com propriedade: devaneio e aumento o que sinto, por pensar no que deveria sentir. O morno é confusão também, então.
Por não se admitir ser meio termo.
Por se querer ser quem não é - não de forma evolutiva, mas a criar sensações que suas terminações nervosas não suportam.


Tentei ferver.
Fervi, fervi e deixei subir no ar sorrisos, aqueles de criança humilde com brinquedo novo - ei, eu também posso! - e, ao apagarem o fogo, fechando a saída de gás, metade de mim evaporou. O fogo não era eu. Eu era consequência dele. Gostei da sensação de ardência, mas não era inerente a mim. Eu, eu mesma, sou morna. E poderei me aquecer, claro, mas somente quando o fogo for eu.