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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Leila.

Pediu um dia de folga ao chefe. A vida de jornalista estava a cansando e contar sobre desgraças já não era seu forte, já que tinha suas próprias tristezas. Acendeu unzinho e saiu sem destino cantarolando Coltrane. Eram duas e meia de sol a pino e ela só deveria buscar as crianças às seis. Sentou no primeiro café que viu e "um capuccino por favor?", um cigarro quase inteiro jogado ao meio fio, cof cof, esqueceu como se fuma, não é bom exemplo às meninas. Manteve sua dignidade apenas com suas unhas pintadas pela metade e os olhos um pouco borrados e úmidos, o que não chamou a antenção do rapaz atencioso que a questionou sobre colocar canela em seu capuccino. "Sim, bastante, obrigada."
Parou para pensar em seus diálogos internos patéticos e deve ter se decepcionado um pouco com o caos em que sua vida se tornara. Sábado tem cachorro-quente com as crianças na Fernanda...
_ Você tá mal hein?
_ Ah querido, eu preciso de um homem!
_ Ah Leila, eu também!
E riram com os bigodinhos de creme.

"Adoro teu olhar
Adoro tua força
E adoro dizer teu nome: Leila
Às vezes as coisas são difíceis, minha amiga
Mas você sabe enfrentar a beleza dessa vida [...]
Leila."