Mostrando postagens com marcador você. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador você. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Br 101, 6:19 pm.

Querido,

A tarde cai sobre os ombros da montanha, fria como o vento que me preenche de você. O trânsito está parado, os faróis dos carros apressados me lembram seus olhos, como sempre.

À minha direita, entre as árvores altas que atrapalham a minha visão ao redor da estrada, vejo as luzes pequeninas e brilhantes que circundam as águas da ilha. Luzes como as estrelas que te iluminam e a mim também, que nos unem através da distância. A lua é a mesma para mim e para ti, aonde quer que tu esteja...
Enfim, apesar da paisagem que me faz ficar na dúvida sobre sorrir ou chorar, eu queria pedir para que tu fuja. Puro sangue não deve puxar carroça; tu não deve ouvir meus reclames, que solto todos os dias, gritando minhas velhas novidades em teus ouvidos.
Sei que eu posso por um ponto final na história, ao menos nesta carta. Mas não, eu não colocarei um fim. Aonde está você agora além de aqui, dentro de mim?

sábado, 3 de julho de 2010

When the sky rained fire.

As asas que ganhei para subir ao topo do penhasco não impediram que eu ferisse minhas mãos. E mesmo sangrando eu gritei a plenos pulmões palavras incompreensíveis para quem tem um pensamento frio e humano demais. Talvez só as nuvens pudessem entender tudo o que proferi sobre mim, sobre tudo o que vi e pude compreender somente lá de cima.
Pessoas minúsculas em meio a uma multidão que as torna menores e comuns, pequenos seres tão complexos, tão iguais, tão diferentes, tão profanos. Vi gente matando, por raiva, por amor. Vi esse amor que sinto pelas coisas e pelas pessoas em forma de lágrimas das pessoas que cativei, que sentem minha ausência, desde que fui imcumbida de subir aqui e entender daonde vim. Vi que minha necessidade não era realmente por ti, era por alguém; por isso vivi cambaleando em meio a palavras e versos e cheiros e olhares para suprir isso.
Eu vi tudo em meio a manchas alaranjadas do céu da tarde, enquanto tentava entender porque tive que partir no dia em que consegui te ter.
Não foi culpa nossa, apenas fui chamada por alguém que enunciava o dia da minha morte.

terça-feira, 29 de junho de 2010

And so is it.

E mais uma vez, ela vai ouvir as músicas que ele gosta; vai falar sobre os assuntos que ele gosta; vai vê-lo em tudo ao seu redor, tudo o que o lembra, tudo o que ele gosta. E vai tentar ser mais do tipo que ele gosta, vai fingir não gostar mais das coisas que ele não gosta, vai tentar ser o mais gentil possível, de um modo que o agrade.



Sim, mais uma vez ela vai tentar ser quem ela não é, para que você possa gostar.


E quando ela conseguir, mais uma vez vai deixar a chance fugir, e esse eterno ciclo perpetua, de modo que o consciente não queira, mas o inconsciente permita.
"Deixa ser
como será quando a gente se encontrar? [...]
Numa moldura clara e simples, sou aquilo que não se vê."